"Pelos caminhos de Portugal" - REGIÃO DE LISBOA

Mar, serra e luz
Reza a lenda que a cidade de Lisboa teria sido fundada pelo herói grego Ulisses, e que, tal como Roma, o seu povoado original fora rodeado por sete colinas.
Quando em 1147, o cruzado Osberno chegou ao estuário do Tejo, ficou maravilhado com aquele rio, feito – dizia ele – de dois terços de água e um terço de peixe.
A capital portuguesa consegue o prodígio de ser um pedaço do Mediterrâneo transplantado para o Atlântico. Imediatamente a sul, nas margens do estuário do Sado, a serra da Arrábida é verdadeiramente mediterrânica, com uma vegetação de zimbros e medronhos e praias de areia branca e água cristalina. Mas logo a norte de Lisboa, o cabo da Roca, «onde a terra acaba e o mar começa», põe em evidência a natureza atlântica desta região. E ainda mais para norte, o labirinto de colinas e vinhedos que se estende na direcção de Torres Vedras onde, em 1810, se perdeu a III Invasão Francesa e um dos melhores generais de Napoleão.
Num raio de pouco mais de 50 quilómetros à volta da capital portuguesa todos os ambientes e todas as paisagens são possíveis. Dos areais intermináveis da Caparica às altas falésias do cabo Espichel. Do ambiente cosmopolita do centro da cidade ao trotar dos cavalos na Golegã. Da grandeza monumental do Convento de Mafra, que inspirou o prémio Nobel da Literatura, José Saramago, às pequenas aldeias, prodígios da arqutectura popular, como as Azenhas do Mar ou Cheleiros. Dos campos férteis da lezíria ribatejana à verdura romântica de Sintra, Património da Humanidade. É esta diversidade, este casamento, por vezes conflituoso, mas cheio de paixão, entre cidade e campo, antigo e moderno, natureza e tecnologia que faz o encanto de Lisboa e da região que a envolve.
Para visitar algumas destas jóias da paisagem ou do património o próprio meio de transporte é um passeio. É o caso dos eléctricos, sejam os de Lisboa, seja o que liga Sintra à Praia das Maças. Sem esquecer os cacilheiros que ligam as zonas ribeirinhas da capital e de Almada ou o comboio que passa no tabuleiro inferior da ponte 25 de Abril.
Texto: "101 destinos de sonho"

"Pelos caminhos de Portugal" - MADEIRA

Caleidoscópio natural
Prove o bolo do caco, as espetadas em pau de louro, os peixes e mariscos frescos, o milho frito, as frutas exóticas e o vinho da Madeira.
Na costa Leste, passe por Machico, o primeiro local onde desembarcaram, em 1419, Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira.
As ilhas da Madeira e de Porto Santo são duas manifestações de originalidade da Natureza no meio do oceano. Na Madeira, misturam-se altas montanhas e densas florestas com jardins meticulosamente cuidados, túneis engenhosos e teleféricos panorâmicos. No Porto Santo aplana-se a paisagem e estendem-se quilómetros de areais dourados. A temperatura é outra aliada do sucesso do turismo no arquipélago: 23 graus de máxima e 15 de mínima durante todo o ano, no ar; quanto à água, oscila entre os 22 graus no Verão e os 18 no Inverno.
À primeira vista, não há como evitar o espanto perante o encanto do Funchal. Em forma de anfiteatro natural, a cosmopolita “capital” da Madeira eleva-se a partir da costa até cerca de 1.200 metros de altitude, emoldurada pelo azul profundo e pela profusão de verde. Visite um engenho do açúcar na Calheta e suba ao cabo Girão, o promontório mais alto da Europa. Suba acima das nuvens no Paul da Serra, onde a neve chega a cobrir a paisagem quase lunar, no pino do Inverno. Siga a pé pelas levadas, rodeado pela Floresta Laurissilva, distinguida como Património Mundial Natural pela UNESCO. As atractivas piscinas naturais de rochas vulcânicas de Porto Moniz levá-lo-ão para Norte. Admire a quede de água conhecida como Véu da Noiva, as Grutas de São Vicente e as casinhas típicas de Santana e traga uma peça em vime da freguesia da Camacha, em Santa Cruz.
Já o Porto Santo brinda-nos com nove quilómetros de areal dourado e fino, com reconhecidas propriedades terapêuticas, banhado por um mar de temperatura agradável o ano inteiro. Se for do género irrequieto, há percursos pedestres e sobre-rodas para todos os gostos, ténis, golfe e desportos náuticos.
Texto: "101 destinos de sonho"

Seis maravilhas do Norte: três paisagens e três monumentos

Três paisagens de cortar a respiração e três monumentos a não perder no Norte de Portugal. Tem plano para o fim-de-semana?
Os antigos achavam que o mundo acabava para além do horizonte e o mar se despenhava num abismo insondável. Hoje muitos portugueses ainda continuam a achar que não há locais para ir de férias para além do Algarve. Nada mais errado. Basta olharmos para o Norte de Portugal, de Trancoso a Vila Real e do Gerês à Serra d’Arga: três paisagens e três monumentos de tirar a respiração.
1.- Ponte de Ucanha
Pode parecer, mas as portagens não são uma intervenção deste Governo. Eram algo inerente ao universo medieval, retalhado entre múltiplos domínios senhoriais, uns da nobreza (honras), outros das ordens religiosas (coutos). Um dos exemplos maiores de ponte-fortaleza controlava a entrada do couto dos monges cistercienses de Salzedas. Fica na aldeia da Ucanha (Tarouca), terra natal do pai da etnografia portuguesa, Leite de Vasconcelos, 50 km a norte de Viseu.
A imponente ponte de pedra transpõe através de um grande arco o rio Varosa (afluente da margem norte do Douro). Na margem direita o tabuleiro passa sob uma imponente torre, donde homens armados poderiam controlar a estrada de Lamego para Sernancelhe.
Feita no séc. XII, a obra mantém-se em perfeitas condições de conservação. Vale a pena subir ao terraço e contemplar as várzeas do Varosa e, ao longe, para oeste, a serra das Meadas. Neste domínio monacal todos pagavam portagem para atravessar a ponte. Menos os peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela. Moral da história: o apregoado princípio do utilizador-pagador sempre teve exceções…
2.- Fisgas de Ermelo
São a ilustração prática do velho ditado segundo o qual agia mole em pedra dura tanto dá até que fura. Neste caso, somos os granitos do planalto de Lamas d’Olo são mais resistentes à erosão do que os quartitos de Ermelo, o rio Olo, ao passar de uma zona para a outra, escavou um desnível de duas centenas de metros ao longo do qual as suas águas se despenham em fúria.
É um espetáculo natural que tanto vale a pena ver de inverno como de verão. Quando chove muito porque a cascata engrossa e forma uma gigantesca pluma. Durante os meses quentes há sempre um fio de água a deslizar lajes abaixo e a montante da queda há um conjunto de lagoas onde se pode tomar um dos melhores banhos da região.
Chega-se aqui a partir de Mondim de Basto pela EN304 (Mondim – Campeã – Vila Real), virando na ponte sobre o rio Olo e seguindo as indicações rodoviárias bem visíveis. Também existe uma estrada florestal paralela, ideal para fazer de jipe, de bicicleta ou, porque não, a pé.
3.- Senhora do Viso
Só dois tipos de pessoas conhecem esta capela, entre Celorico de Basto e Fafe: quem lá mora e quem ia ver o Rali de Portugal nos velhos tempos. Um dos mais apreciados troços, o Viso, passava justamente por aqui. Milhares de pessoas enchiam, quer o adro da capela que formava uma espécie de varanda, quer as bermas do estradão por onde os concorrentes apareciam vindos de norte.
Agora, com o rali (irremediavelmente?) deslocado para o extremo sul do país, resta vir aqui, seja para assistir à romaria (primeiro domingo após 8 de Setembro) seja para ver a vista, que vale bem a pena. Para leste a vista é irremediavelmente atraída pela elevação cónica da Senhora da Graça (altitude 1000 m), na margem esquerda do Tâmega, enquanto para norte se divisam as alturas da serra da Cabreira.
Nem todos os que aqui chegam vêm com as melhores intenções. É o que se depreende de uma inscrição junto à cabeceira exterior da capela e que reza o seguinte: “Não vale a pena arrebentarem a porta porque a caixa das esmolas está vazia…”. Melhor, só o aviso pintado na Senhora do Socorro, a sul de Torres Vedras: “Animais para benzer, juntem-nos aqui…”
4.- S. Bento da Porta Aberta
É o outro lado do Gerês. Não as fragas agrestes da Calcedónia de que Miguel Torga tanto gostava, mas uma paisagem mais suave, feita de encostas arborizadas que descem até às águas da albufeira da Caniçada.
A melhor forma de contemplar e viver tudo isto é percorrer o estradão que parte das proximidades de São Bento da Porta Aberta e serpenteia encosta acima, na direcção do vizinho Santuário de Nossa Senhora da Abadia. É, cada curva, cada deslumbramento. Vai-se vendo cava vez mais água e mata, ao mesmo tempo que, para norte, se começa a ver a Portela de Leonte, por onde passa a milenar estrada para a fronteira da Portela do Homem.
Consoante o modo de transporte, há duas possibilidades. De veículo motorizado (de preferência alto e com tração integral), pelo estradão principal que sobre até entroncar na estrada municipal que desce de Santa Isabel do Monte para Nossa Senhora da Abadia. Para quem se desloque a pé, como, durante séculos, fizeram os peregrinos para Santiago de Compostela ou para a romaria de São Bento, há um trilho devidamente marcado pelo meio do bosque. É só escolher.
5.- Mosteiro de Tibães
Há quem vá a Braga ver o Bom Jesus do Monte, a milenar Sé… ou o notável estádio de futebol desenhado por Souto de Moura. Muito menos vão aos arredores da cidade (6 km, em direcção a Ponte de Lima) ver o mosteiro de Tibães e a verdade é que ficam a perder por não o fazerem.
Tibães ilustra com a sua história agitada as grandezas e misérias do património religioso em Portugal. Foi casa-mãe dos monges beneditinos, esteve ao abandono após a extinção das ordens religiosas em 1834, foi exemplarmente recuperado e, agora, em tempo de paranóia restritiva, começa a precisar de novo investimento que, quanto mais tardar, maior terá que ser. O restauro, iniciado a partir de 1986, salvou boa parte dos extraordinários painéis de azulejos setecentistas, a igreja e seu recheio e parte dos claustros. A visita, com diferentes circuitos, bem merece uma manhã ou uma tarde. Curiosidades a não perder, os livros onde os monges registavam os impostos recebidos em géneros dos camponeses, bem como as medidas usadas para calcular a quantidade de cereal entregue.
E tudo isto esteve para ser queimado pelo povo de Braga que, em maio de 1809, obrigou os monges a entregar o coronel Vilas Boas, o único sobrevivente do estado-maior do general Bernardim Freire de Andrade, massacrado às portas da cidade por achar, e com razão, que não havia ali condições para dar batalha aos franceses de Soult.
6.- São João d’Arga
Se não puder ir a mais lado nenhum e andar pelo Minho vá na direcção de Paredes de Coura e suba ao Mosteiro de São João d’Arga. A 24 de Junho e a 28 e 29 de Agosto há aqui uma imensa romaria. Não lhes tirando o mérito, melhor será vir aqui num dia tranquilo e sentar-se na varanda dos quartéis dos romeiros a contemplar a serra, enquanto ouve o vento a sussurrar no meio das árvores e, ao longe, o tinir dos chocalhos dos rebanhos.

In Única/Expresso – 19/11/2011
Textos:  Ricardo Cardoso – Fotos: Clube escape Livre, António Pedro Ferreira, Pedro Magalhães

"Pelos caminhos de Portugal" - AÇORES

A Atlântida Portuguesa
Vitorino Nemésio disse, sobre as ilhas dos Açores, que a sua Geografia vale «pelo menos tanto quanto a História».
Os Açores associam-se ao conjunto da Macaronésia, tal como a Madeira, por terem em comum o vulcanismo, o recorte costeiro e a flora.
Lagoa do Foto (Fonte)
Impressionantes de diversidade e beleza natural, as nove ilhas do arquipélago dos Açores deixam, em quem as visita, uma indefinível sensação de mistério.
São Miguel é a maior, mais povoada e com maior leque de paisagens e o único lugar da Europa onde se cultiva chá para fins industriais. O bife à micaelense, o cozido e os bolos lêvedos das furnas, os ananases e os maracujás são imperdíveis. As lagoas inspiram poetas e os mergulhos no puro Atlântico, agradavelmente temperado, são purificadores. A “capital”, Ponta Delgada, é uma cidade moderna e cosmopolita.
A Terceira vale por Angra do Heroísmo, cidade Património da Humanidade, pelas sopas do Senhor Espírito Santo, as festas Sanjoaninas, a massa lêveda e o vinho dos Biscoitos.
Santa Maria oferece praias de areia branca, raras nas ilhas, mariscos e caldeiradas de peixe.
O Pico é o paraíso dos pescadores, dos caminhantes, dos amantes da observação de cetáceos e dos apreciadores do “milagroso” vinho verdelho.
Faial é um jardim flutuante, com uma cidade cheia de marcas dos tempos da caça à baleia e a quarta marina mais visitada do mundo.
S. Jorge é a ilha do bom queijo e dos apaixonados, com paisagens de cortar a respiração e as fajãs, à flor da água, a convidarem à contemplação e ao passeio.
A Graciosa é tudo o que o nome sugere e ainda mais; das suas cozinhas saem iguarias inesquecíveis, como as queijadas e a linguiça com inhames.
Resta o Corvo, a mais pequena destas ilhas, onde o povoamento persiste num exemplo admirável de gregarismo e amor à terra. Podem ser poucos, mas todos têm ligação à internet.
Texto: "101 destinos de sonho"

"Pelos caminhos de Portugal" - ALGARVE

Água, terra e luz
As laranjeiras, as amendoeiras, as alfarrobeiras tingem a paisagem algarvia de diferentes tonalidades ao longo do ano.
A temperatura média do mar no Algarve, no Verão, situa-se entre os 21 e os 24 graus centígrados.
O Portugal Meridional é um mundo à parte. Aqui, mais que em nenhum outro lugar, se mantém viva a herança islâmica, expressa das mais diversas formas: os terraços e as chaminés das casas tradicionais, as noras, a forma de cultivar a terra, a presença forte dos laranjais e amendoais, a linguagem.
Outra coisa torna esta região diferente: a luz que a banha, mesmo de Inverno. Aqui os dias são claros e o ar é límpido. O brilho dos raios solares reflecte-se no azul vivo do mar, no branco das casas e muros, no dourado das areias. O clima, esse, é ameno, proporcionando aos algarvios os mais suaves Invernos de Portugal.
Barrocal algarvio (CM S. Brás de Alportel)
O litoral algarvio goza de justificada fama, aquém e além-fronteiras. Há praias para todos os gostos, desde os areais intermináveis, às pequenas conchas entre arribas rochosas. Mas a verdade é que a região não se resume à faixa litoral. Entre o mar e a serra há todo um mundo por descobrir e onde, aos poucos, se vai afirmando um turismo de qualidade e respeitador da Natureza. A serra de Monchique é, desde ponto de vista, um lugar à parte. Mas, também, Salir, Barranco do Velho, Querença, Cachopo ou Ameixial são lugares com nomes a reter.
E que dizer das cidades? Aqui se encontram centros históricos exemplarmente preservados e onde apetece passear sem fim. Faro, com a cidade intramuros; Tavira, cidade branca dos telhados de tesoura; Silves, com as suas raízes islâmicas bem à vista; Lagos, outro caso exemplar de equilíbrios entre a vocação turística e o respeito pelas raízes; Vila Real de Santo António, com a sua baixa pombalina a fazer lembrar a de Lisboa.
A gastronomia é a cereja no topo do bolo. A mesa algarvia é fresca e colorida, muito favorecida pela generosidade dos mares e dos solos do Sul.  
Texto: "101 destinos de sonho"

"Pelos caminhos de Portugal" - ALENTEJO

Terras do sem fim
Campo a perder de vista. Cidades e aldeias bem conservadas. Tradições que persistem e nos ajudam a compreender as nossas raízes. Assim é o Alentejo.
Évora, Património da Humanidade, Mértola, a vila-museu, e Montemor-o-Novo, culturalmente vibrante, são alguns bons exemplos de cidades vivas.
Nas aldeias de ruas claras e paredes caiadas toda a gente se conhece e acolhe os visitantes com simpatia. Os montes e quintas têm ganho nova vida graças a uma nova classe de habitantes, vindos das cidades do litoral, ou mesmo do estrangeiro, rendidos à beleza e à tranquilidade da planície.
As principais cidades estão vivas e pujantes, concentrando os serviços e a oferta cultural e beneficiando o fluxo turístico. As fortalezas, as igrejas e os vestígios arqueológicos competem pela nossa atenção com património natural, desde a serra de São Mamede ao vale de xisto banhado pelo Guadiana. Por estas terras corre o rio mais limpo da Europa, o Mira, que nasce na serra do Caldeirão e desagua em Vila Nova de Milfontes. O seu vale, desde Odemira à foz, está inscrito no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, onde se encontram algumas das mais belas praias do nosso país.
Há também um rico leque de tradições, que vai desde o canto ao artesanato, que tem sido preservado. O caso da gastronomia merece uma referência espacial. A cozinha alentejana é das mais notáveis de Portugal, fazendo autêntica magia a partir de ingredientes aparentemente pobres, como o azeite, o pão, as ervas do campo e o alho, enriquecidos conforme a zona do Alentejo, com a melhor carne e os mais frescos peixes e mariscos. Tudo acompanhado dos excepcionais vinhos da região.
Território vasto e pouco povoado mas com muito para ver, o Alentejo é, por excelência, o reino do passeio. Aqui se pode gozar todo o tipo de férias e de fins-de-semana, sejam a andar a pé, de bicicleta ou a cavalo; a repousar numa pousada ou numa casa de turismo de habitação; a fazer surf ou apenas a admirar a paisagem.
Texto: "101 destinos de sonho"

“Pelos caminhos de Portugal” – CENTRO

Concentrado de Portugal
O golfe é uma das modalidades à disposição dos praticantes um pouco por todo o Centro, desde Viseu até Peniche.
No Oeste há sítios naturais únicos, como a Reserva Natural das Berlengas ou as grutas de serras de Aire e Candeeiros.
A geografia mostra-nos um território vasto, da fronteira até ao mar, e com uma série de marcas importantes. A mais óbvia é a cadeia montanhosa que, começando na serra da Estrela, se prolonga para sudoeste, através da Gardunha, do Açor e da Lousã. É uma verdadeira barreira entre litoral e interior, com praticamente 2 km de altitude. A serra da Estrela é a mais alta montanha de Portugal, onde a neve, embora irregular, marca a maior parte dos Invernos e Primaveras.
Junto à fronteira, sucedem-se os castelos defensores. Já na linha de costa desenvolveu-se uma vocação piscatória e comercial, que veio a dar origem a alguns dos destinos de veraneio mais procurados, desde Aveiro a Peniche. Coimbra fica a dever a sua projecção à Universidade, aqui instalada no século XIV. Viseu, com grande desenvolvimento recente; Guarda, austera e granítica; Covilhã, antiga capital dos lanifícios; Castelo Branco, a grande referência da campina da Beira Baixa; Figueira da Foz, marítima e charmosa; Nazaré, senhora das sete saias. A monumentalidade de Óbidos, Alcobaça, Batalha ou Tomar é motivo suficiente para umas quantas visitas.
Testemunhas de um passado, ora glorioso, ora feito da sobrevivência quotidiana em meio hostil, uma série de aldeias históricas, contempladas por um programa específico de recuperação, fazem-nos recuar no tempo, como Piódão, Belmonte ou Idanha-a-Velha. Num registo mais modesto mas que, sem dúvida, tem posto a zona do pinhal interior a mexer, a rede das Aldeias do Xisto, com belíssimas praias fluviais, alargou o nosso leque de escolhas. À mesa a escolha é infindável, dos Queijos da Serra aos vinhos do Dão, do peixe fresco da costa ao cabrito assado da serra, das cerejas do Fundão às maças de Alcobaça.
Texto: "101 destinos de sonho"

“Pelos caminhos de Portugal” – NORTE

Paisagem, história e tradição
Das papas de sarrabulho à moda de Braga, ao presunto de Chaves, das alheiras de caça de Mirandela à broa de Avintes, as mesas do Norte são sempre fartas.
O único Parque Nacional do país, o da Peneda-Gerês, concentra no seu território a amostra do que de mais genuíno tem o Minho.
No Minho, região onde se situa Guimarães, a cidade-berço de Portugal, dos vales verdejantes aos caminhos antigos das serras, vamos encontrando de tudo um pouco: valioso património histórico, casas solarengas cheias de tradições, ambientes urbanos modernos e industrializados, povoamentos rústicos dispersos, praias de areia branca e mar forte, tudo sempre envolto pelo verde único da paisagem. Para além deste cenário de sonho, a alegria e a hospitalidade das gentes minhotas é contagiante. Os trajes, as danças e os cantares, a música tradicional, a gastronomia célebre, tudo se conjuga para proporcionar ao visitante uma estadia inesquecível.
Logo abaixo, o Douro Litoral, com o foco na cidade do Porto, pólo comercial e industrial extremamente dinâmico que cresce a partir das margens do Douro, sendo o próprio nome da cidade expressivo da sua função de comunicação marítima.
Trás-os-Montes e Alto Douro é uma região histórica e tradicionalmente homogénea, que se estende pelos distritos de Vila Real e Bragança e por uma faixa a sul do rio Douro, correspondente ao limite norte dos distritos de Viseu e Guarda. Os recursos naturais e a paisagem são a sua maior riqueza, do Alto Douro Vinhateiro e do Parque Arqueológico do Côa, classificados como Património da Humanidade, às cumeadas do Marão e ao planalto de Miranda do Douro. É um mundo diversificado e pouco transformado, ao qual apetece sempre voltar e isto quer estejamos a falar de cidades cheias de história, como Chaves, Bragança, Miranda do Douro ou Lamego, zonas naturais de grande beleza (caso dos parques naturais de Montesinho, Alvão ou Douro Internacional), castelos românticos (Algoso) ou vias férreas panorâmicas (linhas do Corgo, Tua e Douro). É a viagem ao Reino Maravilhoso de Miguel Torga.
Paisagem em pleno Alto Douro Vinhateiro
Texto: "101 destinos de sonho"

Vila Nova de Famalicão – Património

Neste post queremos sugerir uma visita e dois elementos do vasto património cultural construído de Vila Nova de Famalicão. Esperemos que gostem.

A Azenha de Chaves
Na freguesia de Fradelos, no lugar de Agra de Baixo, implantada na margem direita do Rio Ave, encontramos a Azenha de Chaves.
Encontra-se inserida numa envolvente rural, onde abundam os campos agrícolas.
Enquadra-se no núcleo composto ainda pelo respectivo Açude e a Azenha de Bairros, que se situa na outra margem do rio, pertencente ao concelho da Trofa.
Encontram-se referências documentais da existência desta Azenha, pelo menos, desde o ano de 1793. De referir ainda, os relatos que indicam ter sido utilizado neste local o “barquinho de Chaves”, que efectuava a travessia do rio.
A azenha apresenta uma área de implantação de cerca de 82m2. Como “pisos”, apresenta: cabouco, rés-do-chão e 1º andar.
Chegou a possuir 3 rodas. O respectivo açude apresenta cerca de 94 metros lineares.

Cruzeiro no lugar do Cruzeiro
Na freguesia de Cavalões, no lugar do Cruzeiro, na bifulcação do C.M. 1137 com o caminho vicinal que dá acesso aos lugares de Avenida e Bouça, a cerca de 150 metros a NE da Igreja Paroquial, encontramos este cruzeiro, constituído por cruz, coluna, pedestal e plataforma.
Tem a particularidade de ser epigrafado e datado. No dado do pedestal, pode ler-se na face mais voltada a poente, numa placa de mármore:
«OFERECIDO PELOS / BEMFEITORES D’ESTA / freguezia, os Ex.mos S.e / JOAQUIM DE SÁ OLIVEIRA / E SUA ESPOSA / D. ANNA DE SÁ OLIVEIRA / GRATIDÃO DO POVO DE / CAVALÕES. / 2-10-1910»
A cruz é de inspiração latina, vazia, com decoração nos ângulos das hastes, o seu apoio é constituído por dois cavetos rectos, uma coroa, uma Escócia, e um junquilho, apresentando proporções equilibradas. Trata-se de uma estrutura (com excepção das placas em mármore) em granito de grão médio, com cuidado tratamento.

Texto e fotos retirados de: Agenda Cultural de Vila Nova de Famalicão

Memória da Terra do Vinho (Exposição permanente no Museu do Douro)

Com este post queremos sugerir uma visita ao Museu do Douro, localizado na cidade da Régua, Capital do Vinho do Porto.

O texto e as imagens foram retirados de um folheto de divulgação editado pelo Museu do Douro:
Memória da Terra do Vinho
A partir do desafio lançado pelo Ministério da Cultura à Estrutura de Projecto para o Museu do Douro, em 2000, de realizar uma acção que materializasse o espírito do Museu do Douro, foi concebida a exposição programática “Jardins Suspensos” (2003/2006).
Tendo em conta a sua grande aceitação por parte do público e da população duriense, a exposição “Memória da Terra do Vinho” pretende dar continuidade a esse trabalho, assumindo-se como um espaço de representação da Região Demarcada do Douro e da cultura da vinha e do vinho, elemento essencial da sua identidade. Cumprindo a sua vocação de museu de território, esta exposição assume-se como núcleo principal da Rede de Museus do Douro, pretendendo ser um ponto de partida para a descoberta e interpretação não só da Região, mas também da sua cultura e da sua memória.
 Memória do Lugar
Este armazém integrava a Quinta da Ameixoeira no século XVIII, tendo conhecido vários proprietários como a Ferreirinha e a Casa do Douro. Foi adquirido em finais do século XX pelo Instituto do Vinho do Porto, sendo uma parte cedida à Fundação Museu do Douro.
O território
O Alto Douro é a terra do vinho. Mas essa vocação vinhateira decorre de condições naturais específicas, como o relevo, o solo e o clima mediterrânico, factores que marcaram o povoamento, as actividades e o sistema de relações da região.
A História
A vitivinicultura do Douro torna-se evidente a partir do período romano, ganhando maior dimensão com o aumento da exportação de vinhos para Inglaterra em finais do séc. XVIII. A natureza complexa deste negócio e a sua importância para o comércio nacional levou à criação da primeira região demarcada e regulamentada do mundo, em 1756.
A vinha
A paisagem do Douro é a expressão da harmonia entre a Natureza e o Homem, em que este último a engrandeceu através do plantio da vinha, cultura que marca o ritmo do trabalho ao longo do ano e transformou a paisagem ao longo de gerações.
O vinho
A vocação comercial dos vinhos do Douro ditou a evolução da tecnologia de vinificação de acordo com o gosto do mercado. Este ditou ainda o sucesso das diversas categorias e a manutenção de muitos aspectos da vinificação tradicional.
Do Douro para o mundo
O transporte dos vinhos teve até finais do século XIX o rio Douro como principal via de escoamento para entreposto que lhe deu nome, a cidade do Porto. Era nos armazéns de Gaia e do Porto que envelheciam e eram preparados para a exportação.
A imagem do vinho
O vinho do Douro assumiu muito cedo uma imagem de prestígio, associado a um consumo sofisticado, como é visível na escolha das garrafas e dos diferentes acessórios utilizados para apreciar um bom vinho.

Festas de Nª Sª da Agonia 2011: Trajes Femininos Regionais do Minho no Desfile Etnográfico


Vídeo enviado por PedrodoPorto. Os nossos agradecimentos.

Tomaz Ribas, no seu livro "O Trajo Regional em Portugal" afirma que a paisagem do Minho, "variada de vales profundos e espraiados, litoral recortado e serras que se alongam para o interior desde Arga ao Gerês, tem de marcar necessariamente o trajar do minhoto, ora pela exuberância da cor e do desenho, ora por uma frugalidade contida."

Se quiser conhecer mais sobre os Trajos Regionais de Portugal...

Região do Oeste: "A Oeste tudo de novo"

Oeste terra de vinhedos e de mar
O Oeste é uma região de belas paisagens, magnificamente preservada, que se estende do oceano Atlântico ao maciço que nasce em Montejunto, até ao Pinhal de D. Dinis, Para nascente ficam as extensas terras de vinhedos imensos que dão origem a uma das maiores Regiões Vinícolas de Portugal e do Mundo. A poente, o permanente espectáculo de um mar sempre vivo e criativo, que banha uma Costa de altas arribas, pequenas baías e enseadas, terra de pescadores onde o peixe e os mariscos são reis!
Constituída pelos municípios de Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, é espaço único, de ruralidade moderna às “portas da capital”.
A proximidade a Lisboa e a situação estratégica na ligação a outros centros caldearam o crescimento e modernidade da região Oeste. As autoestradas A8 (Lisboa – Leiria), A17/A29 (a ligar ao Porto) e A15 (Óbidos – Santarém) tornam o acesso ao Oeste extremamente fácil e agradável, em conjugação com a IP6, A1, A23 (esta ligando a Espanha). Dos aeroportos internacionais de Lisboa e Porto estamos ligados a todos os grandes centros de Portugal e da Europa.
É um território de luminosidade intensa e clima ameno, em que a costa marítima e o campo se fundem de forma singular, numa mancha verde, salpicada de casario branco, com o azul do oceano em pano de fundo, povoada de gente que se divide entre o apego à terra e o chamamento ancestral do mar.
Estações arqueológicas, castros da Idade do Cobre ou povoados romanos convivem lado a lado com castelos árabes, arquitectura religiosa, Românica, Gótica, Manuelina e Barroca, fortalezas quinhentistas e das “Guerras Napoleónicas”, magníficas casas solarengas, sendo algumas das principais referências da monumentalidade da Região, que guardam parte da história do Oeste e nos desvendam os segredos da cultura do seu povo.
Percorrer o Oeste é descobrir a cada passo um motivo de interesse. Rica de paisagens e espaços, esta região tem muito para oferecer. Para os amantes de um ambiente puro e de um estreito contacto com a natureza, o Oeste constitui uma área de imprescindível visita.
Edgar Libório
Saúde & Bem-estar na região do Oeste
Perde-se no tempo o uso das águas desta Região para fins terapêuticos. Desde as nascentes das Termas da Piedade e do Balneário Termal do Vimieiro, exploradas já durante a romanização, às “águas santas” de Caldas da Rainha, que no séc. XV surpreenderam a Rainha D. Leonor com os seus poderes curativos, o Oeste possui um Parque Termal com características únicas no país e na Europa. Esta herança foi sendo transformada, melhorada e valorizada até aos nossos dias e está patente na qualidade da oferta que o Oeste tem hoje para oferecer na área da Saúde e Bem-estar.
Aos complexos termais juntam-se agora magníficos Spas que, além de amplas gamas de tratamentos e programas, têm o antídoto para o stresse da vida quotidiana. Piscinas aquecidas, hidromassagem, talassoterapia, sauna, banho turco, hidroterapia, massagens, tratamentos de estética, etc. Tudo o que necessita para deixar correr o tempo devagar e desfrutar de experiências sublimes.
(Aproveite para conhecer a rede de instalações e equipamentos termais: Termas de Portugal).

Sabores do Oeste
A herança gastronómica do Oeste remonta à fundação do reino, e à sabedoria ancestral dos monges dos conventos e mosteiros da região, de onde se destacou a presença tutelar de Alcobaça, cuja tradição da doçaria conventual é ainda hoje uma referência.
No campo, da arte de “prantar” o pão, do cultivo do vinho e da pesca, nasceram algumas das tradições gastronómicas mais emblemáticas do Oeste, onde o peixe e os mariscos são reis.
A gastronomia da região é variada: dos ricos pratos da “matança do porco”, ao cabrito no forno e ao coelho guisado com arroz, passando pelas célebres caldeiradas e os suculentos e fresquíssimos pargos e robalos de Peniche e da Nazaré cozidos ou no forno, as enguias e amêijoas da Lagoa de Óbidos e os mariscos dos viveiros de Porto de Barcas, onde, de entre outras iguarias, a lagosta da Costa Atlântica, “suada”, é um manjar único.
Influência da cultura conventual, as trouxas, as lampreias de ovos e as cavacas das Caldas da Rainha, os pastéis de feijão de Torres Vedras ou os pães de Ló do Landal, Painho e Alfeizerão complementam os sabores da doçaria conventual de Alcobaça, que é a “jóia da coroa” deste paraíso gastronómico, herdeira milenar do centro cultural que foi, e é, o Mosteiro. A “Pêra Rocha do Oeste” e a “Maçã de Alcobaça” são ex-libris da região que alcançaram já certificação e prestígio internacional.
in Dossier Especial Expresso “A Oeste tudo de novo”
Aproveite para conhecer algumas peculiaridades da gastronomia de outras regiões do país.

Viana do Castelo - vídeo promocional em 2D


Vídeo promocional de Viana do Castelo, aqui em 2D. A cultura, tradições, folclore, artesanato, arquitectura, modernidade e muito mais num filme que apresenta a beleza de Viana do Castelo.

Uma produção HyperCube para C.M Viana do Castelo
Enviado por Martins Matos. Os nossos agradecimentos.

Gastronomia Duriense: 3º Festival de Gastronomia do Douro

Rico em sabores e aromas, que embriagam o espírito e fortalecem o corpo, o Douro é também boa comida.
O pão regional cozido em fornos de lenha acompanha o melhor presunto, salpicão ou chouriça com azeitonas.
As bolas de Lamego e de Vila Real, assim como os excelentes peixes do rio, são tudo exemplos da genuína gastronomia regional.
A carne que alimenta as gentes da região em Invernos rigorosos é comprovada por certificados de origem, atribuídos pela qualidade das raças autóctones – mirandesa e maronesa – que, a par do melhor cabrito, asseguram a refeição perfeita.
A vasta doçaria conventual, os doces de amêndoas e de ovos, o leite-creme e as sumarentas frutas fazem também as delícias do paladar e enchem o olhar.
É por estas razões e outras que surge o 3º “Festival de Gastronomia do Douro”, apoiado pelo programa da “Douro Emoções”, promovido pelas cidades de Lamego, Vila Real e Peso da Régua e pelo Turismo de Portugal, e que vai decorrer de 28 de Outubro a 11 de Dezembro.
Durante 45 dias de sabores e tradições, cerca de três dezenas de adegas típicas, restaurantes e hotéis dos 19 concelhos abrangidos pela zona de intervenção da Turismo do Douro, vão dar a conhecer a “Gastronomia Duriense”.
– 28 de Outubro a 1 de Novembro: “Sabores e Aromas do Douro” (Lamego, Vila Real Tarouca, Peso da Régua, Armamar, Tabuaço, Mesão Frio);
– 10 a 13 de Novembro: “Pelas Terras da Castanha” (Moimenta da Beira, Penedono, Sernancelhe e S. João da Pesqueira);
– 30 de Novembro a 4 de Dezembro: “Sabores do Douro Superior” (Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta e Vila Nova de Foz Côa);
– 7 a 11 de Dezembro: “Paladares nas Terras de Torga” (Vila Real, Stª Marta de Penaguião, Sabrosa, Alijó e Murça);
Não perca esta oportunidade de visitar alguns dos concelhos da Região Demarcada do Douro, conhecer as suas paisagens e, principalmente, provar uma Gastronomia ímpar e uns Vinhos (de Mesa ou Generosos) que não encontram rival em qualquer parte do mundo!

A excelência no Douro

«Enquanto destino rural, natural e de Património Mundial, o Vale do Douro oferece um leque de oportunidades turísticas. O relatório do Centro Mundial de Destinos de Excelência, que evidencia os resultados do Sistema de Medição dos Destinos (SMED), procura determinar o modo como a região pode alcançar uma vantagem competitiva distinta, mesmo de superioridade, relativamente a aspectos fundamentais da indústria do turismo.
Desta avaliação do SMED resulta, desde já, que o Vale do Douro está agora associado a uma rede internacional que procura a excelência: o World Center of Excellence for Destinations (CED). Por outras palavras, o Vale do Douro integra uma rede mundial de destinos cuja missão é a excelência.
Foram avaliadas no total catorze categorias pelos participantes nos grupos de trabalho do SMED. À semelhança do que se encontra indicado no quadro:
- Sete categorias obtiveram a classificação de excelência: Segurança, Saúde e Bem-estar, Alimentação e Bebidas, Transportes, Ambiente e Paisagem, Vinhas e Cultura e Património;
- Duas categorias obtiveram um desempenho elevado: Arqueologia e Informações e Acolhimento
In Folheto editado pelo Turismo do Douro (DOURO – património | vinhos | cultura | paisagem | excelência)



Por tudo o que ficou dito atrás, sugerimos a leitura dos textos abaixo referenciados, na certeza de que em qualquer um deles poderá encontrar um motivo para visitar a Região Demarcada do Douro, em particular o “Douro – Património Mundial”:

Do granito à casa do lince

É entre a Beira Baixa e o Alto Alentejo, junto a uma albufeira de águas calmas, rodeada de prados e ainda com a silhueta da Gardunha a rasgar o horizonte um pouco mais a norte que começa este passeio. À sua volta a festa dos sons é feita no tilintar dos chocalhados das ovelhas (cujo leite dá origem ao famoso queijo de Castelo Branco) e do bater do bico das gralhas e cegonhas que vigiam, em voos rasantes, toda a área envolvente da Barragem da Marateca.
Estamos junto à povoação de Louriçal do Campo, mesmo ao lado da nova auto-estrada da Beira Interior, também conhecida por IP2. A nossa marcha segue depois para norte até à aldeia histórica de Castelo Novo, cujo nó de acesso fica acerca de 10 km da Marateca. Vale a pena percorrer as ruas semidesertas desta aldeia, incrustada numa espécie de anfiteatro natural escavado na encosta do sul da Serra da Gardunha.

Pelourinho e torre de Castelo Novo
Destacam-se casas solarengas bem como o que ainda resta da torre do castelo que pontifica lá no alto. A qualidade de gás que brotam das entranhas da Gardunha Constitui outro motivo de atracção, sendo comum a romaria às fontes para abastecer as vasilhas do precioso líquido. A viagem continua depois pela EN18, com passagem pela vila de Alpedrinha, a partir da qual se inicia a subida para a Gardunha. Deslumbrem-se com a paisagem a sul, do lado direito de quem sobe, cuja grandeza vai aumentando à medida que vamos progredindo. Trata-se de uma planície a perder de vista, que vai desde aldeia de Vale de Prazeres até aos limites da Beira Baixa, já com a Espanha em linha do horizonte. Só por isso já valeria a pena a subida à Serra. No entanto, a surpresa maior está para vir. Mesmo no alto da Gardunha, ao virar à esquerda para iniciarmos a descida para o Fundão, ergue-se, imponente, a Serra da Estrela. Entre as duas montanhas estende-se o imenso vale da Cova da Beira. Por ali se produz muita cereja, maça, pêra, pêssego e frutos secos.

Chegados ao Fundão, a direcção é agora Penamacor. Toma-se à EN 343, passando por Valverde e Fatela, depois a EN345 até à ponte da Meimosa, para virar à direita e seguir pela EN 346. A partir daqui deixámos definitivamente o granito áspero da Gardunha e as elevadas silhuetas da Estrela, para mergulharmos numa verdura sem fim feita sobretudo de pinhal, azinha e algum eucaliptal. Lá ao longe vislumbra-se já a Serra da Malcata. À passagem por Penamacor visite o que resta do castelo, para depois prosseguir na direcção da Meimosa. Envoltos numa verdura que surpreende a cada curva, algumas centenas de metros depois viramos à direita para Meimão. É esse o caminho para chegar ao fim desta incursão beirã: a Barragem da Meimosa. A enorme mancha verde que a envolve, com mais de 16 mil hectares, do lado direito de quem está no paredão virado de frente para a albufeira, é a Reserva Natural da Malcata, o santuário de lince. Um dia destes vamos tentar seguir-lhe o rasto.

In Guia da Semana - Expresso
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