Das terras do Magriço aos socalcos do Douro

Este passeio inicia-se no centro histórico de Sernancelhe, um dos mais preservados da região. O granito e a decoração austera do estilo românico dão à vila um certo encanto.
A igreja matriz, classificada como Monumento Nacional, apresenta uma bela portaria formada por seis colunas com capitéis fitomórficos e uma arquivolta decorada por dez anjos, ladeado por dois nichos cada um com três figuras esculpidas em relevo: os apóstolos Pedro e Paulo são as figuras centrais em cada um deles, ladeados pelos quatro evangelistas. No interior, de uma só nave, há importantes pinturas murais e quadros da escola do mestre viseense Grão Vasco.
Mas ali perto fica, junto da velha Casa da Câmara e da cadeia de granito, o pelourinho, de alto fuste granítico onde se inscreve a data de 1554.
Nos limites do centro histórico localizam-se casas solarengas de nomes que deixaram marcas na História. É o caso da Casa da Comenda de Malta, entretanto convertida em Turismo de Habitação, com brasão de 1611 e antiga residência de notáveis freires e comendadores. Mais a norte, na base do Monte do Castelo fica a casa dos Condes da Lapa e, no lado oposto, o Solar dos Carvalhos.
O tempo urge e a viagem prossegue em direcção a Penedono. Tome a EN229, com traçado e piso moderno para cerca de 10 km depois de Sernancelhe cortar à direita seguindo as setas que indicam Aldeia das Antas. Aqui pode apreciar um importante conjunto de monumentos megalíticos, que deram nome à aldeia.
Regresse à EN 229 e prossiga pelo planalto, onde a exuberância dos castanheiros contrasta com a aridez das rochas.
Mesmo de longe, o castelo de Penedono surge como numa visão de conto de fadas. Com as suas torres semelhantes a dedos de uma mão aberta, mais parece um palácio encantado que edifício feito para a guerra.
Penedono disputa com Trancoso a honra de ter dado berço ao «Grão Magriço» dos «Doze de Inglaterra» de que falava Camões.
Suba às torres, aprecie a paisagem e depois desça para entrar em lojas de artesanato onde encontra trabalhos em barro ou em latão, feitos por artesãos das freguesias próximas.
Continue viagem até à vila de Trevões. Já em plena Região Demarcada do Douro aprecie os vinhedos, as grandes cubas de cimento e os solares de antigos a actuais proprietários rurais. Este tipo de paisagem vitivinícola prolonga-se até São João da Pesqueira, onde se localizam algumas das maiores quintas do Douro e os principais produtores de amêndoa da região, daí que os meses de Fevereiro e Março também sejam boas alturas para uma visita, época em que as amendoeiras se encontram em flor. (…)


Guia da Semana - EXPRESSO - nº41

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