O lugar da fé em Balsemão

A Capela de São Pedro de Balsemão foi um importante centro religioso no norte do país. O acesso é simples, embora mal indicado. Fica apenas a 3 kms de Lamego. (…) Seguindo as placas que indicam Balsemão, pelo caminho municipal, apreciem-se as belas vistas de montanha, onde as vinhas se erguem nas encostas do rio Balsemão.
O nome desta pequena localidade, que nas Inquirições (séc. XII) surge como local densamente povoado, terá tido origem no nome de origem romana «Samanus» que, juntando o prefixo «Bar» (rio) veio dar «Balsamanus», evoluindo depois até à forma actual.
A pequena capela é dedicada a S. Pedro. Terá sido fundada no séc. VI ou VII, o que a torna um dos templos religiosos mais antigos da Península Ibérica. Contudo, alguns autores atribuem a data da fundação ao séc. XIV, pelo próprio Bispo D. Afonso Pires, que terá mandado imitar modelos antigos.
Na fachada norte, a porta é encimada por três escudos e ladeada por mais um. A epígrafe romana ali presente é uma memória ao imperador romano Cláudio Germano. O escudo da direita pertencia à família de D. Afonso, sendo que o da esquerda pertencia ao próprio.
A capela é do tipo latino, rectangular, e apresenta três naves. As naves laterais dividem-se da nave central através de três arcos de volta inteira cada uma, suportados por colunas com capitéis coríntios de decoração fitomórfica. Destes, apenas quatro são originais: os do lado da Epístola e os do arco do triunfo, sendo os outros cópias do séc. XVII.
A obra do séc. XVII terá destruído a porta principal, acrescentando ao interior da capela uma tribuna, onde os proprietários e seus convidados assistiam às cerimónias religiosas. Hoje, a tribuna já não existe.
O pavimento encontra-se ocupado por sepulturas rasas. Nos espaços livres, podem ser vistas faixas de cantaria preenchidas por um empedrado de seixos do rio.
Embora deterioradas, observem-se as coberturas feitas de madeira pintada com caixotões que dispõe de roseta nos cruzamentos das molduras (séc. XVII).
As decorações são de carácter visigótico e constituídas por motivos geométricos. Nas paredes podem ser vistas estrelas de raios curvos, encadeados de SS, losangos e círculos concêntricos, espinhas, cordões circulares, dentes de serra, linhas quebradas formando setas, linhas dispostas paralelamente, ziguezagues, espirais, cruzes ou motivos florais.
A título de curiosidade, saiba-se que os círculos representariam a eternidade e a perfeição. A cruz simboliza a ponte ou escada pela qual as almas sobem a Deus, num princípio de horizontalidade e verticalidade (a primeira representaria a ordem da terra e a segunda a espiritualidade celeste).
Por cima do altar do lado do Evangelho, encontra-se uma imagem de Nossa Senhora do Ó, igualmente conhecida por «Virgem da Expectação». No altar-mor, barroco, note-se uma imagem de S. Pedro e outra de Cristo na cruz. No tecto de madeira policromada, repare-se nas imagens dos apóstolos.
Na nave principal encontra-se o sarcófago de D. Afonso Pires, falecido em 1362. D. Afonso Pires foi Bispo do Porto durante o reinado de D. Pedro I, tendo estado presente na declaração pública do monarca acerca da legitimidade do seu casamento com D. Inês de Castro. Este, assenta sobre cinco suportes com a forma de leões e outros animais.
Fonte: Guia da Semana - EXPRESSO - Norte 

A Capela de S. Pedro de Balsemão integra as “Rotas Medievais do Vale do Douro”, em conjunto com outros exemplares do valioso património religioso construído no concelho de Lamego, e está classificada como Monumento Nacional. Por Lamego passava um dos Caminhos de Santiago, utilizado pelos peregrinos, desde a Idade Média.
O concelho de Lamego está inserido em plena Região Demarcada do Douro, e, embora pertencendo ao distrito de Viseu, é sede de Diocese (tão antiga como o nosso país). Na cidade realiza-se, no dia 8 de Setembro de cada ano (Feriado Municipal), uma das maiores Romarias do norte de Portugal: a Romaria de Nª Sª dos Remédios.
Sobre a gastronomia de Lamego, muito haveria para dizer, mas atravemos-nos apenas a sugerir: “Bacalhau com molho de vilão”, “Carne em vinha-d’alhos” e “Aletria”. Dada a sua localização geográfica, em Lamego poderemos encontrar dos melhores vinhos de mesa da região do Douro, assim como vinhos finos (generosos), mais conhecidos com vinhos do Porto,
Em Lazarim, concelho de Lamego, realiza-se, todos os anos, no Carnaval, uma tradição muito antiga, designada por «Entrudo dos Compadres».


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