Pela costa alentejana

Em tempo de canícula nada melhor do que fazer um passeio junto ao mar, refrescar-se com a brisa marítima e mergulhar nas águas atlânticas da costa alentejana.
Inicie o passeio em Vila Nova de Mil Fontes (a terra dos três erros: não é vila, não é nova e não tem mil fontes).
Aqui aproveite para admirar a beleza natural da foz do rio Mira e as águas calmas do mar. Nesta zona andaram celtas, fenícios, gregos, cartagineses, romanos e árabes e, desde sempre, foi porto seguro de marinheiros e de piratas. Dos antigos combates sobrevive a fortaleza mandada construir por D. João IV, para prevenir incursões pelo rio. Há alguns anos foi adaptada a turismo de habitação.
Tome a EN393, atravesse o rio, e vá até às Furnas, cadeia de enseadas arenosas cada vez mais pequenas e inacessíveis à medida que se caminha para jusante do estuário. Apesar do seu aspecto calmo tenha atenção às correntes. Siga pela estrada principal para nove quilómetros depois chegar a Almograve. Quem aqui vem pela primeira vez fica impressionado com a dimensão das dunas. A praia divide-se basicamente em duas zonas: uma primeira concha entalada entre as arribas e, mais para sul, um segundo areal protegido pelas imponentes dunas.
Tome daqui uma estrada estreita com uma placa a indicar a povoação do Cavaleiro. Passe a aldeia rumo ao farol construído em 1915 no alto de uma arriba que prolonga ligeiramente o Sudoeste Alentejano pelo mar dentro.
Aqui as gaivotas e outras aves voam paralelas ao mar em busca de peixe. Ilhotas e rochedos testemunham a milenar luta entre o mar e a terra e no próprio aspecto das paredes rochosas podem distinguir-se marcas de antigos cataclismos: os estratos, outrora horizontais, foram rodados pela força das convulsões geológicas, mergulhando perpendiculares no mar, assemelhando-se a gigantescos bolos folhados.
Depois de apreciar os afloramentos rochosos que saem da água, siga em direcção à Zambujeira do Mar. Apesar da tradição e do crescimento turístico, o essencial da povoação não mudou: o miradouro sobre a praia, as esplanadas onde se pode saborear um peixe grelhado enquanto se olha para as ondas a rebentar lá em baixo ou o casario correndo pela encosta.
Onde se nota uma diferença mais vincada é, para norte, no pequeno porto da Entrada da Barca. Aqui, onde havia abrigos rudimentares para os barcos de pesca, há agora um pequeno porto de abrigo com rampa. Onde funcionavam pequenas tabernas, há hoje restaurantes de pedra e cal. Entre em qualquer um deles e delicie-se com os sabores que chegam do mar.
Pode continuar o passeio mais para sul, onde vai encontrar praias semi-desertas ou fazer uma incursão para o interior e visitar São Teotónio.
In Guia da Semana – Expresso
Quando se decidir a visitar esta ou qualquer outra zona do Alentejo (que se estende da fronteira com Espanha, a Este, até ao Oceano Atlântico, a Oeste), não se esqueça de provar e saborear os respectivos Vinhos, os Enchidos e o Fumeiro, assim como a Doçaria e os Queijos.

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