No berço de pedra - Guimarães

A PROPOSTA para esta semana leva-nos a Guimarães, numa estirada de pouco menos de 50 km a partir do Porto e por auto-estrada. As recentes obras na velha urbe torna obrigatório um novo olhar sobe este repositório maior dos ícones da nacionalidade. Ë hábito do visitante desprevenido centrar o seu olhar no Paço dos Duques de Bragança, mandado construir no séc. XV e reconhecido por ordem de Salazar nos anos 40, para comemoração do oitavo centenário da Fundação. O seu maior interesse reside no espólio museológico com que foi recheado pelo Estado Novo, o que o toma num dos museus mais visitado do país.
Entrou-se pela muralha de D. Diniz, passou-se pelo antigo Mosteiro de Santa Clara (que hoje alberga a Câmara) com os seus dois claustros e atingiu-se o recinto da feira, que se desenrola nas traseiras do Paço. Do lado norte vislumbra-se a magnifica igreja romântica de S. Miguel, onde se diz que D. Afonso Henriques foi baptizado. O seu chão está coberto pelos túmulos dos cavaleiros da reconquista católica, com as suas armas gravadas na pedra já muito gasta. O interesse recai depois no fantástico Castelo de Guimarães, com a sua enorme torre de menagem, que terá sido mandado construir por Mumadona Dias em 952. Dali se avista o Campo de S. Mamede, cenário da batalha em que Afonso Henriques expulsou D. Teresa. O Hospital da Misericórdia mostra-se ao cimo da R. Conde D. Henrique, que desemboca no Largo Martins Sarmento. Inevitável uma visita à Igreja da Real Collegiada de Guimarães e ao padrão comemorativo da Batalha do Salado, ali mandado erguer por D. Afonso IV. Depois, o visitante deve perder-se nas ruelas cheias de marcas medievais, agora emolduradas por um notável arranjo urbano. Texto retirado de Guia da Semana - Expresso, nº3 (Norte)
Foto retirada da Internet

Igreja de S. Francisco - Porto


A IGREJA romano-gótica de S. Francisco, no Porto, é apenas a parte mais visível de um percurso de várias artes que se inicia no século XIII e vem até aos alvores do século XX. Inclui aquilo que foi denominado pelos seus responsáveis como igreja-monumento, de estilo românico tardio, que foi sofrendo várias alterações através dos tempos, cruzada por retoques renascentistas e pelo pesado barroco em talha rica, diversificada nos vários altares. Peças como a Árvore de Jessé — a árvore genealógica de Nossa Senhora -, pintura flamenga e estatuária sacra das mais diversas providências e épocas transformam esta igreja numa autêntica máquina do tempo em termos artísticos e arquitectónicos. O percurso ideal leva o visitante à Casa do Despacho, riscada por Nicolau Nasoni, e à Sala das Sessões — a divisão mais nobre, onde, além do mobiliário, se destaca uma grande tela de Vieira Portuense que retrata a Morte de Santa Margarida de Cortona. No mesmo edifício pode ainda visitar-se a Sala do Tesouro, com inúmeras peças sacras, tais como um sacrário-sepulcro da Semana Santa (Escola Portuguesa do século XVIII), em talha dourada e espelho, uma nela custódia em prata dourada e minas novas, e uma pequena mas muito bela barca da morte evocativa de Nossa Senhora da Boa Viagem. De novo Vieira Portuense impera, com dois grandes quadros retratando Santa Isabel de Portugal e Nossa Senhora da Conceição.
Exactamente por baixo destas salas encontra-se um enorme cemitério catacumbal, também riscado por Nasoni.
A encerrar o trajecto, entra-se naquela que é a actual Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco e que foi o primeiro local de culto em estilo neo-clássico construído no Porto. Iniciada em 1794 sob planta do arquitecto da Relação do Porto e riscador de retábulos António Pinto de Miranda, esta igreja é substancialmente mais leve do que a chamada igreja-monumento, com os seus tectos em branco e ouro. Decorado em grande parte por Manuel de Sousa Allão, este belo templo foi terminado já no século XIX.

Texto retirado de Guia da Semana - Expresso, nº2 (Norte)
Foto retirada da internet
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