Pelas fortalezas marítimas de Cascais

«Vamos à descoberta das antigas fortalezas que pertenceram ao sistema de defesa da entrada do porto de Lisboa, que ia de Belém ao Guincho, dispositivo este mandado criar ao tempo de D. João IV.
Este nosso passeio pode ser feito de carro, de bicicleta ou a pé pela ciclovia e sempre com o mar à vista. O trajecto começa junto à praia do Abano, local do primeiro baluarte, o Forte no Guincho, cuja função principal era de vigia, cruzando fogos com o Forte da Galé mais a sul. Esta fortaleza, que se encontra fechada ao público, conserva intacto o seu pano de muralhas, situado ainda junto a uma panorâmica parede de protecção da arriba. Retomando o alcatrão, passa-se pelo areal da praia grande do Guincho, encontrando-se no fim a Estalagem Muxacho, que do lado do mar e sob o seu restaurante esconde um troço dos muros (com quatro aberturas ou torneiras), daquele que foi o Forte da Galé. Defendia o areal, cruzando fogos com o Forte do Guincho e com o Forte da Bateria Alta a sul.
Uns passos mais à frente começa a ciclovia e do lado oposto situa-se o Hotel do Guincho, que na sua vertente voltada ao oceano ainda preserva parte das muralhas com cinco aberturas do antigo Forte da Bateria Alta.
De concepção semelhante ao Forte da Galé, cruzava com estes fogos e com o Forte da Cresmina. Começa-se agora a percorrer uma importante área de lapiás costeiro e flora marítima. A sul da praia da Cresmina, encontra-se o Forte da Cresmina, que cruzava fogos com o forte anterior e defendia a praia pequena do Guincho.
Muito arruinado, pode-se lá entrar e apreciar a vista. Precisamente no local onde está erguido o farol do Cabo Raso, são bem visíveis as antigas muralhas do estratégico Forte de Sanxete. Defronte da duna de Oitavos, o ex-líbris deste passeio, vamos encontrar o Forte da Cabeça de Oito Ovos ou São Jorge de Oitavos. Recentemente recuperado, mostra no exterior, a norte, uma impotente linha de mosquetaria. Está aberto ao público, podendo percorrer a sua explanada que exibe réplicas de peças de artilharia de 12 libras, com a zona dos antigos quartéis a proporcionar uma reconstituição expositiva de séc. XVIII.
Bem perto daqui, situa-se o Forte da Lagem do Ramil, que é actualmente um laboratório da Faculdade de Ciências de Lisboa. A sua construção deve-se, sobretudo, à fragilidade do nosso sistema defensivo, já que foi por aqui que entraram as tropas espanholas comandadas pelo duque de Alba.
Depois de visitado o farol da Guia e a zona da Boca do Inferno, chega-se ao Forte do Rio do Bode, criado para a defesa da entrada do ribeiro que a ladeia, albergando actualmente o farol de Santa Marta. O percurso termina em Cascais, ligada à Fortaleza da Nossa Senhora da Luz (séc. XVI), local onde estão os restos da antiga Torre de S. João
in Guia da Semana - Expresso

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