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Os megalitos de Évora

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Há cerca de sete mil anos floresceu na Península Ibérica uma civilização primitiva da qual subsistem como principal testemunho grandes monumentos em pedra, ligados a ritos funerários ou cultos diversos (nomeadamente de fertilidade). Muito embora esta civilização megalítica tenha deixado marcas noutros pontos do país (como Castro Laboreiro, Montalegre, Viseu, Tomar, etc.), a mais expressiva e bem conservada concentração ocorre na zona do Alentejo situada entre Elvas, Évora e Reguengos.

Um fim-de-semana em Évora permite juntar à descoberta da cidade-museu, classificada pela UNESCO como Património da Humanidade, um passeio pelos megalitos da zona envolvente.  O conjunto mais conhecido, e também mais facilmente acessível, situa-se nos Almendres, a 10 km da cidade pela ENI 14 (que faz a ligação ao nó da auto-estrada e a Montemor-o-Novo).  O acesso, em tempos problemático, está hoje alcatroado, devendo o visitante sair da estrada nacional para sul e virar para a aldeia de Guadalupe, seguindo a…

Aveiro - da Arte Nova e de outras artes

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Aveiro - da Arte Nova e de outras artesEntrar em Aveiro é, hoje em dia, uma tarefa facilitada pelo IP5/A25, o que traz também a vantagem de depositar o visitante directamente no coração da cidade das salinas e dos canais(*).

Ao passar-se pela margem sul do Canal Central é inevitável reparar do outro lado, na Rua João Mendonça, num breve friso de belas frontanas em estilo arte nova. 
Avançando em direcção ao Rossio, pela Rua Barbosa de Magalhães, nota-se o triste estado de conservação [ao tempo de elaboração do texto] daquela que é talvez a mais emblemática edificação em arte nova de Aveiro: a casa Major Pessoa, trabalhada ao pormenor pelos arquitectos Silva Rocha e Korrodi, encimada pela águia que simboliza a cidade. 
Tem a particularidade de não ser apenas uma fachada — como acontece com a maioria dos edifícios congéneres da cidade -, o que se pode observar nas suas traseiras que dão para a Rua Tenente Resende. 
Aí se nota totalmente o mesmo estilo, ao que se junta um pequeno mirante arr…

Um Vinho com história

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Neste post vamos falar de um passeio pela Rota do Vinho do Porto, na Região Demarcada do Douro.

«A paisagem é uma paleta de cores entre o verde e o amarelo, o castanho e o avermelhado.  O Alto Douro Vinhateiro corresponde apenas a 24600 ha da mais antiga região demarcada do mundo e é, desde o ano 2000, Património da Humanidade.  Sobre a obra do rio Douro e seus afluentes, o homem transformou, a pulso, montanhas de xisto em terras de cultivo em terraços.  Dividida em Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior, esta região engloba as denominações «Porto» e «Douro», para néctares extraídos de centenas de castas das quais ressaltam a Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Ririz, Tinta Barroca e Tinto Cão.

Peso da Régua, a capital comercial do vale do Douro, é o nosso ponto de partida. Ao longo de séculos foi local de recolha de vinho do Porto, que daqui seguia em tonéis de madeira de carvalho, nos barcos rabelos, rio abaixo até à cidade do Porto.  A Casa do Douro (1932) e os seus vitrais merecem…

Seis maravilhas do Norte: três paisagens e três monumentos

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Três paisagens de cortar a respiração e três monumentos a não perder no Norte de Portugal. Tem plano para o fim-de-semana? Os antigos achavam que o mundo acabava para além do horizonte e o mar se despenhava num abismo insondável. Hoje muitos portugueses ainda continuam a achar que não há locais para ir de férias para além do Algarve.  Nada mais errado. Basta olharmos para o Norte de Portugal, de Trancoso a Vila Real e do Gerês à Serra d’Arga: três paisagens e três monumentos de tirar a respiração. 1.- Ponte de Ucanha

Pode parecer, mas as portagens não são uma intervenção deste Governo. Eram algo inerente ao universo medieval, retalhado entre múltiplos domínios senhoriais, uns da nobreza (honras), outros das ordens religiosas (coutos).  Um dos exemplos maiores de ponte-fortaleza controlava a entrada do couto dos monges cistercienses de Salzedas. Fica na aldeia da Ucanha (Tarouca), terra natal do pai da etnografia portuguesa, Leite de Vasconcelos, 50 km a norte de Viseu. A imponente ponte de …

Vila Nova de Famalicão - Património

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Igreja Paroquial de São Félix e Santa Marinha de GondifelosA Igreja Paroquial da freguesia de Gondifelos- Vila Nova de Famalicão é composta por nave central rectangular, capela-mor quadrangular e duas sacristias adossadas. A fachada principal é de linhas sóbrias, com porta axial de formato rectangular, é encimada por dois pináculos rematados numa forma boleada, com uma cruz ao centro. No centro da empena estão duas edículas, onde se encontram colocadas duas esculturas em granito representando os oragos da igreja, São Félix e Santa Marinha. Adossada ao lado norte da fachada, situa-se a torre sineira. A actual igreja é datada de 1954, substituindo uma outra anterior que existia no mesmo lugar, e cuja documentação aponta para a sua edificação em 1699. Em meados do século XVII, verificou-se a união de duas paróquias pré-existentes (Santa Marinha de Vicente e São Félix de Gondifelos), resultando na actual paróquia de São Félix e Santa Marinha de Gondifelos.
Chafariz da Praça Manuel Sottomaior

O Paço dos Duques de Brangança - Guimarães

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«O Paço Ducal, mandado construir por D. Afonso, 1º duque de Bragança (1), denuncia influência europeia, assemelhando-se aos castelos franceses do Vale do Loire. De facto, tem as características de um grande palácio fortificado ou de uma fortaleza apalaçada, sendo exemplar único na Península Ibérica.De planta quadrangular, tem uma torre em cada canto e todo o perímetro é ameado, encerrando um claustro gótico. Nos telhados contam-se 39 chaminés cilíndricas.A partir do século XVI foi votada ao abandono, que durou até 1937, quando se iniciaram as obras de recuperação. Em 1959 foi aberto ao público e transformado em museu.Destacam-se a colecção de tapeçarias de Pastrana, do século XV, o núcleo de tapeçarias flamengas com desenhos de Pieter Paul Rubens e as mostras de porcelanas da Companhia das Índias, de faiança portuguesa e de mobiliário do período pós-descobertas.»  (1) A construção foi efectuada em 1420-22 pelo 8º Conde de Barcelos, D. Afonso (1380-1461), filho bastardo de D. João I.In…

Igreja de S. Francisco - Porto

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igreja romano-gótica de S. Francisco, no Porto, é apenas a parte mais visível de um percurso de várias artes que se inicia no século XIII e vem até aos alvores do século XX. Inclui aquilo que foi denominado pelos seus responsáveis como igreja-monumento, de estilo românico tardio, que foi sofrendo várias alterações através dos tempos, cruzada por retoques renascentistas e pelo pesado barroco em talha rica, diversificada nos vários altares. Peças como a Árvore de Jessé — a árvore genealógica de Nossa Senhora -, pintura flamenga e estatuária sacra das mais diversas providências e épocas transformam esta igreja numa autêntica máquina do tempo em termos artísticos e arquitectónicos. O percurso ideal leva o visitante à Casa do Despacho, riscada por Nicolau Nasoni, e à Sala das Sessões — a divisão mais nobre, onde, além do mobiliário, se destaca uma grande tela de Vieira Portuense que retrata a Morte de Santa Margarida de Cortona. No mesmo edifício pode ainda visitar-se a Sala do Tesouro, …